ABÍLIO MARCOS

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          A Viagem das Cores ( sobre a exposição em Coimbra)

          Temos hoje uma exposição de Abílio Marcos que de Sintra nos traz estas 16 telas que, de comum, têm uma excelente conjugação de cores a justificar a denominação que o autor dá a esta exposição, “A Viagem das Cores”. Tal mestria já justificaria a nossa admiração. Todavia, também o trabalho de execução merece o nosso aplauso, dado o cuidado com que tais cores são conjugadas com a forma. No trabalho de Abílio Marcos advinham-se formas que nos transportam à visão de aglomerados urbanos, trechos da natureza, passagens para não importa o quê.

           É uma pintura que não está fora da realidade nem deixa de ter que ver com o nosso quotidiano. Pelo que, também por isso, a obra do pintor justifica-se e justifica o nosso agrado por ter que ver connosco e com a realidade que nos circunda.

          Não procuraremos no expressionismo americano, nem nos do manifesto-abstracto, nem mesmo em Kandinsky as raízes desta pintura. Abílio Marcos que andou pela América e pela Europa, lá terá as suas influências. Porém, o que aqui se vê é uma obra original que vai desde as técnicas do óleo sobre tela até à incorporação de outros materiais, tudo conjugado em jogos de cores e formas, que nos enchem o olhar.

           Dr. Mário Nunes (Presidente da Presidência Portuguesa)

           Fevereiro de 2012

 

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Muito bem ! finalmente um trabalho com sublinhada qualidade.

Isto sim, é pintura e retoma o melhor que o geometrismo nos deixou como herança.

Estamos perante um trabalho de jogos de luzes e transposições que surrealiza a obra em si, com vestígios de modernismo de 1966 e fragmentos do pós-expressionismo geométrico de 1987.

A conclusão temática é muito agradável e não tem a necessidade de “jogar” com as linhas visíveis para delimitar as superfices.

Muito bem, Sr. Abílio Marcos, afaste-se das correntes pseudo-intelectuais dos “putos” com tiques de surrealistas com neuroses profundas e caminhe com exactidão por essa estrada do geometrismo aplicado.

 

 

                                             Jorge de Brito

                                   (Galerista e Crítico de Arte)

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Abílio Marcos, pintor. Os críticos oficiosos têm dele dito coisas muito bonitas, eruditas e por vezes contraditórias: que é impressionista, abstracto lógico, pós-expressionista geométrico, utilizador de metodologia naturalista, sei lá que mais! Bem, se é esse o papel do crítico estou completamente fora da especialidade porquanto, sendo consumidor e apreciador de arte, tento interpretá-la e julgá-la através das sensações e emoções que a sua observação provoca. Quero dizer que o melhor critério para catalogar o artista se aproxima do dilema gostar, ou não gostar. Evidentemente, o conhecimento da história da arte e das influências visíveis numa determinada obra são importantes referências para avaliar da sua técnica e originalidade.

 

É altura de afirmar sem mais delongas que a pintura do Abílio é uma pintura de que se gosta…muito! Por variadíssimas razões. Primeiro, o ser humano na sua simplicidade e humildade perante a grandeza da obra criada. Segundo, o trabalhador da pedra com mãos rigorosas e ferramentas precisas que talham as formas convenientes, e são a sua escola de vida e de belas-artes. Terceiro, o viajante de outras geografias, EUA e França, onde os grandes espaços e mentalidades abertas lhe forjaram uma inspiração atípica do país onde nasceu. Abílio Marcos é o pintor das grandes estruturas urbanas, industriais, metafísicas e poéticas, estas últimas exclusivamente abstractas, assim mesmo, sem nada que as justifique ou a que devam comparar-se para se tornarem compreensíveis. Belíssimos gritos no mistério da vida! 

 

As estruturas são sempre projectadas na vertical, ou na horizontal. No primeiro caso vemos as imagens com o olhar tridimensional divagando no visível. No segundo caso vemos os mapas e radiografias de imagens irreconhecíveis pela distância a que se vêem. Não é que o Abílio Marcos se deixe fascinar pelo absurdo abstracto da criação inconsciente, ou subconsciente. Nitidamente, ele prefere as grandes estruturas do conforto ocidental. Os arranha-céus, as redes viárias sobrepostas, os efeitos de luz, o branco ou negro em fundo frequente como se a obra fosse gerada do nada, ou da noite.

 

Surpreende ainda na obra do Abílio a paleta da cor. Utiliza o espectro luminoso em toda a sua amplitude e tonalidades, do neutro inefável ao forte provocador com um denominador comum de harmonia e mestria. Atrevo-me a dizer que o Abílio Marcos, detentor de excelente técnica, aliás apoiada por uma invulgar inspiração de longo curso que vai do quase naturalismo ao pleno simbolismo abstracto e poético, corre muito bem o risco de vir a ser considerado um dos maiores pintores portugueses da actualidade.

 

 

           Armando Taborda ( Escritor, poeta )

           Lisboa, 2007 Março 10

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         Figuras díspares, de boa textura, rigorosas, que fundamentam a obra deste pintor, que baloiça entre um visível e bem estruturado impressionismo e uma linha abstracta, lógica, como se fosse a sua filosofia natural com um cromatismo de meios tons, róseos, e outros que se abrem mas onde o escuro é um caminho relevante, que faz saltar a luz, em potencialidade mítica, onde, as perspectivas longas se separam e se unem por uma simbiose no imaginário do pintor, que nos surpreendeu, nas metamorfoses, mesmo nas ambiguidades, que se compreendem perfeitamente nas subdivisões do artista, da gnose reflectida, do corpo vivo, que é esta pintura.

         Artista que pode avançar por este país, sem receios, porque tem validade e mostra que pode ir muito mais além nos seus exercícios mentais, que obedecem aos pincéis, à paleta multivária, e nas ideias que se desenvolvem quase oniricamente...

         Abílio Marcos usa processos técnicos na fabricação dos seus quadros que se encontram sempre enunciados no desenho no cromatismo, nas ideias, na variedade dos temas, que ligam, mas também se desviam em fantasias, que nos envolve em relações estéticas, e em alguns casos, personifica um lavado surrealismo – figurativo, que não é muito comum nas nossas galerias como o pintor parecesse desenhar triângulos para fixar a sua mensagem, que reputamos, é digna.

         Boa presença no jogo emocional, nas livres associações que faz das escolas, todos os quadros são leis empíricas e laborações mentais, com códigos universais e de filosofia abstracta, que o pintor segura bem nos pincéis, na formação da sua obra, que, ali nos impressiona pela lucidez mas acolá nos seduz pela indução experimental.

         No fundo um bom pintor, categorizado, na sua mensagem, que sabe bem por onde trilhar, numa ciência moral, que não reduz nunca os processos utilizados, ou a redução possível do quadro, pois cada quadro é, de facto uma mensagem, o objectivo explícito, que constitui o seu pathos, o seu carácter.

         Assim vale a pena  artistas deste jaez, sem os raciocínios primários mas com a verdade da arte, em proposições novas a partir, repetimos, de induções já estabelecidas no espírito deste artista.

         Pintura viva!

         Ainda assim lembramos o mestre Pinho Dinis e doutra forma Zé Penicheiro, ou mesmo Mário Silva, embora Abílio Marcos tenha uma constituição pictórica diferente e uma sistematização do conjunto entre o impressionismo e a teoria abstracta, trabalhando no inorgânico e no orgânico, para formar a sua filosofia de arte e o mundo onírico que lhe é afim.

         Esta pintura tem uma funcionalidade prática por desenvolver o Belo, o que agrada à vista, numa psicologia inteira, entre o autor e a obra de arte.

         E os quadros, senão todos, parte deles têm os silêncios ricos de poesia, o pôr do sol no fim dum belo dia, que se adivinha, como outros horizontes, na fantasia do pintor, que deseja mostrar com rigor o seu mundo cósmico, em festa, na cor, no desenho, na mensagem.

         Isento da psicopatologia geral, de uns tantos cabotinos, que nos inundam, com regularidade, Abílio Marcos, defende a sua intimidade na análise dos objectos exteriores; procede, desta maneira, por antinomias!

         Pintor de raíz. Os  mecanismos e um certo método naturalista, ou extraconsciente, dão-lhe cariz de artista de verdade.

                                                                       

                                          Manuel Bontempo

                                           ( Critico de Arte )

                                       Jornal Artes & Artistas